Eco-Visionários: Arte e Arquitectura no Antropoceno

Eco-Visionários: Arte e Arquitectura após o Antropoceno é a primeira colaboração do MAAT com vários museus europeus. A exposição centra-se em práticas correntes que propõem visões críticas e criativas face às transformações ambientais que afectam o planeta.

Numa altura em que as alterações climáticas estão no centro do debate público e político, o projecto Eco-Visionários pretende esclarecer acerca de um vasto panorama de questões associadas ao Antropoceno, designação recente de um novo período geológico definido pelo impacto das acções humanas.

ANTROPOCENO: E SE FORMOS OS ÚLTIMOS SERES VIVOS A ALTERAR O PLANETA?

A pegada ecológica gigante que estamos a deixar no planeta está a transformá-lo de tal forma que os especialistas consideram que já entrámos numa nova época geológica, o Antropoceno. E muitos defendem que, se não travarmos a crise ambiental, mais rapidamente transformaremos a Terra em Vénus do que iremos a Marte.

Publicado por Raquel Dias da Silva, no Público

Do Desastre à Adaptação

Eco-Visionários compõe-se através de quatro secções. Apresentada através de vídeos e fotografias, a primeira, intitulada Desastre, traça um retrato dramático da situação actual do planeta. Apela ainda a uma consciência ecológica urgente, consequência do inconsciente ecológico, intimamente ligado à evolução tecnológica, segundo os autores. Já a segunda secção, Coexistência, mostra as consequências globais, exemplos de causa/efeito em diferentes pontos geográficos, bem como expõe soluções para mitigar o problema.

Já na mais polémica das secções, Extinção, expõem-se as consequências dramáticas do aquecimento global nos ecossistemas, sugerindo que determinadas espécies vão ser extintas, tal e qual como aconteceu há 65 mil milhões de anos com a extinção dos dinossauros. O facto do ser humano não estar biologicamente preparado para a subida das temperaturas e para o crescente aquecimento global, por exemplo, é uma das premissas para a possibilidade da sua extinção na Terra.

Nesta secção, o visitante é convidado, por exemplo, a entrar numa sala para ouvir a gravação de um texto documental, escrito por um biólogo marinho, sobre as perspectivas futuras de evolução da espécie humana, enquanto assiste à transformação de um espelho – que reflecte as pessoas sentadas na sala – num aquário de medusas, uma das espécies que mais irá crescer com as alterações climáticas, ao contrário do ser humano, que (acredita-se) tenderá a desaparecer.

Trezentos anos depois de Bartolomeu Gusmão conceber a primeira elevação de um objecto mais pesado do que o ar, o artista argentino Tomás Saraceno apresenta Um Imaginário Termodinâmico, também patente no MAAT. As esculturas que, desafiando a gravidade, flutuam no ar por via da incidência solar, abdicando de hélio ou combustível, são a base de um projecto de investigação do artista intitulado Aeroceno, designação sugerida para um tempo em que a raça humana poderá vir a habitar as estruturas aéreas.

Por último, Adaptação apresenta uma mensagem de esperança, sugerindo que, a par de tanta destruição, poderemos conseguir reverter a situação e encontrar novas estruturas sociais que respeitem a dependência entre humanos, não humanos e o próprio planeta.

Uma das peças que compõem esta secção está a ser concebida há vários anos e consiste numa máquina de biogás. Esta permite transformar resíduos orgânicos em energia para sustentar uma pessoa, permitindo-lhe por exemplo cozinhar ou tomar duche.

Com contributos de quase quarenta artistas e arquitectos, a exposição em Lisboa é a primeira e mais abrangente das quatro mostras que surgirão em paralelo em Portugal, Espanha, Suíça e Suécia. Patente até Outubro de 2018, pode ser vista gratuitamente no primeiro domingo de cada mês.

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Raquel Dias da Silva. Licenciada em Ciências da Comunicação - Área Opcional de Jornalismo e a frequentar o Mestrado em Comunicação de Ciência na FCSH-UNL, gosto de observar, desmontar fenómenos e partilhá-los através de histórias. Apaixonada por jornalismo (sobretudo cultural, ambiental e de ciência), alimento-me do que me faz pensar - teatro, livros e outros quebra-cabeças - e do que me deixa sem palavras - natureza, gastronomia, música e a arte de fotografar.

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