A elite mundial da Astronomia prepara-se para se reunir em Coimbra

© NASA

A elite mundial da Astronomia – incluindo David Jewitt (que descobriu a Cintura de Kuiper em 1992) e Alan Stern (o responsável principal da missão espacial New Horizons) – prepara-se para se reunir em Coimbra, graças à Conferência internacional The Transneptunian Solar System.

A Conferência internacional The Transneptunian Solar System (O Sistema Solar Transneptuniano), coordenada pelo Centro de Investigação da Terra e do Espaço (CITE) da Universidade de Coimbra (UC) e pelo Instituto Max Planck de Investigação do Sistema Solar (MPS, na sigla original), está marcada para decorrer entre os dias 26 e 29 de Março, no Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

Durante os quatro dias da conferência, 115 peritos vão discutir “as mil e uma formas de estudar a ainda pouco conhecida Cintura de Kuiper e os seus descendentes Centauros e cometas de curto período”, avança em comunicado da UC Nuno Peixinho, astrónomo do CITE. “Desde as suas propriedades físicas aos detalhes dos seus maiores membros conhecidos, como o ex-planeta Plutão e a sua maior lua Caronte, o gigante Eris, que quase chegou a ser planeta, o muito abatatado Haumea e o estranho Varuna.”

A Cintura de Kuiper, uma área do sistema solar que se estende desde a órbita de Neptuno até 50 UA do Sol, foi descoberta em 1992 por David Jewitt, que também descobriu em 2006 a existência de cometas entre asteroides, fenómeno que não se esperava ser possível. O astrónomo inglês estará presente na conferência, ao lado de outros nomes da elite mundial da Astronomia, como Alan Stern (o responsável principal da missão espacial New Horizons e um inconformado com a despromoção de Plutão do seu estatuto de planeta) ou Rodney Gomes, Alessandro Morbidelli e Hal Levison (que concluíram que os planetas gigantes do Sistema Solar migraram após a sua formação).

A UA é uma unidade de distância, aproximadamente igual à distância média entre a Terra e o Sol, usada para descrever a órbita dos planetas e de outros corpos celestes no âmbito da astronomia planetária.

O papel dos objectos transneptunianos como catalisadores de vida na Terra, através de antigos impactos de cometas com o nosso planeta, continua por compreender.

Está também programado um debate sobre as últimas novidades científicas relativamente aos objectos transneptunianos (TNOs, na sigla inglesa) que possuem luas, incluindo as com nomes exóticos como Manwe-Torondor ou Patroclus-Menoetius. “Os transneptunianos são tidos como os fósseis mais bem preservados da era da formação do nosso sistema solar”, conta ao SUPERNOVA Nuno Peixinho. “Bem preservados porque à distância a que estão do Sol as temperaturas são muito baixas e eles sofreram muito poucas alterações físicas e químicas desde a sua formação. Compreendê-los é compreender melhor os primórdios do nosso sistema solar e a sua formação. Compreensão que é também muito necessária para melhor compreendermos a formação de outros “sistemas solares” espalhados pelo Universo.”

Ressalta-se ainda, como se pode ler em comunicado da Universidade de Coimbra, que não vão ficar de fora complexos detalhes como a “evolução dinâmica destes corpos ao longo de centenas de milhar ou mesmo milhões de anos, principalmente simulada em computadores” ou os mais recentes estudos da possibilidade de existência de objectos semelhantes em torno de outras estrelas, sem esquecer, evidentemente, os últimos resultados da incansável procura pelo Planeta 9, o que esperar do pequeno objecto 2013MU69 e por onde irá passar a sonda News Horizons a 1 de Janeiro de 2019.

Esta é apenas a 3.ª vez que se realiza uma conferência dedicada aos objectos transneptunianos, depois da sua descoberta em 1992.  A primeira decorreu entre 11 e 14 de Março de 2003, em Antofagasta, no Chile. A segunda decorreu entre 27 de Junho e 1 de julho de 2010, em Filadélfia, EUA. “A união do Instituto Max Planck de Investigação do Sistema Solar com o Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra para a organização deste terceiro encontro resultou de uma conversa, onde Coimbra se voluntariou para realizar [a conferência] em Portugal aproveitando a oportunidade para dar mais visibilidade e incentivar a investigação desta área do conhecimento no nosso país, o que agradou à agência Europlanets”, explica ao SUPERNOVA Nuno Peixinho.

O objectivo da conferência é, segundo o astrónomo português, “fazer um ponto da situação do nosso conhecimento actual destes objectos, da sua formação à sua evolução, passando pela sua composição”. Nas comunicações orais que estão programadas, será feito um resumo do “estado da arte” de aspectos mais específicos da investigação sobre os objectos transneptunianos, bem como serão apresentados os resultados mais recentes de vários estudos. “Este encontro é também o momento ideal para se estabelecerem novas colaborações entre equipas e se desenharem novos projetos.”

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