RISCO – Uma exposição para audazes

RISCO – Uma exposição para audazes estreou no dia 11 de outubro, no Pavilhão do Conhecimento. Durante um ano, estarão disponíveis 23 módulos interactivos para demonstrar como identificar riscos, compreendê-los e avaliá-los.

A abertura da nova exposição temporária estava marcada para as 18h. Contudo, o programa acabou por atrasar tempo suficiente para explorar o espaço. Apreciar a arquitectura, os símbolos nas paredes e o tecto que os reflectia. Assim como as crianças e alguns monitores enrolados em plástico-bolha com autocolantes a declarar fragilidade. Por perto, uma miúda de laranja, acompanhada de uma bóia de salvamento. Não é de estranhar. Numa exposição para audazes nunca se sabe o que pode acontecer.

O discurso de apresentação ficou a cargo de Rosalia Vargas, presidente da Agência Ciência Viva. Em cima de uma cadeira de nadador salvador, corre o risco, com à vontade e sentido de humor, para cumprimentar o público e relembrar memórias de um passado não muito remoto, “em que todos nós andámos a trepar às árvores, a correr nos recreios da escola e na rua,  em que esfolámos os joelhos.”

Actualmente existe uma cultura de protecção muito grande e o que se propõe é questionar qual é a fronteira a partir da qual podemos pisar o risco. Porque “às vezes pisar o risco faz bem”, é a presidente que o diz. Neste sentido, a exposição, constituída por três áreas, começa por explorar o conceito de risco, os seus universos e a fórmula matemática para o calcular.

A segunda parte apresenta o poder da audácia individual: andar na corda bamba, escalar uma montanha, jogar num casino ou numa roleta eléctrica (traduzido por miúdos é para te arriscares a levar um choque). Para terminar, partilhamos o risco ao tomar decisões em conjunto com outros visitantes.

“Se o risco pode ser calculado, conhecido e até minimizado, porque é que arriscamos de forma tão distinta, uns e outros?” — Rosalia Vargas, Presidente da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica

A Caminhada. Como nos prepararmos para o risco?

No âmbito do seminário de Comunicação de Ciência e Educação, leccionado pelo Professor Carlos Catalão, fiquei responsável por experimentar, sobretudo, A Caminhada, assistir à experiência de outros visitantes e tentar perceber a sua dinâmica.

A proposta é simples. Escolher objectos, que estão lá mesmo à mão, que sejam indispensáveis a uma caminhada. Um relógio, um estojo de primeiros socorros, um apito, um protetor solar, um chapéu, um cobertor, um isqueiro, um telemóvel, barras de cereais. Estes são alguns dos recursos apresentados. Uns são importantes, outros só atrapalham. Perceber a diferença não é tão fácil quanto parece, palavra de honra.

As primeiras duas visitantes, que optaram por experimentar em conjunto, decidiram-se por uma estratégia de poupança “para não carregar a mochila de objetos inúteis.” Mas o resultado não foi particularmente animador. Faltava-lhes muitos objectos indispensáveis e tinham alguns a atrapalhar.

Por outro lado, uma visitante, bastante mais jovem, escolheu quase todos os objectos. Aleatório ou não, a verdade é que os quadrados verdes (que indicam os objectos indispensáveis que se escolheu) apareceram em maior número do que os quadrados amarelos (objectos indispensáveis que se deixou para trás) e os vermelhos (objectos que vão atrapalhar). Diz-se que uma pessoa prevenida vale por duas. Às vezes é bom sermos cautelosos.

Outras vezes arriscar é a chave. Depende sempre da situação. Neste caso do desafio com que nos confrontamos. A exposição está cheia deles. Achei particularmente interessante andar num labirinto (muito pouco labiríntico na verdade) com uns óculos que me faziam ver como se fosse um homem de 70 kg e tivesse emborcado (palavra gira) seis copos de álcool. Seis copos de álcool é muito copo para um homem de 70 kg, quanto mais para alguém com o meu peso e tamanho.

Vão experimentar e depois logo me dizem como foi bater em tudo o que é parede e duendes (quando bebemos às vezes até existem unicórnios) e não conseguir enfiar uma chave numa fechadura. As figuras ridículas que as pessoas fazem quando têm sede. Sim, tenho imensa piada. Mas o RISCO tem mais.

A exposição, produzida pelo centro de ciência Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris, em consórcio com o Pavilhão do Conhecimento e o Heureka, em Helsínquia, pode ser visitada até Setembro de 2017.

De terça a sexta, das 10h às 18h, sábados, domingos e feriados, das 11h às 19h, o bilhete custa entre 20€ (para famílias até dois adultos com crianças até aos 17) a 5€ (crianças dos três aos seis e séniores). No dia 24 de novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, a entrada será gratuita.

Espreita a galeria:

fotografias de Raquel Dias da Silva

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