Florestas Submersas: um santuário no meio da cidade

Florestas Submersas: um santuário no meio da cidade

No Oceanário de Lisboa, repousa a última grande obra de Takashi Amano, que faleceu quatro meses após a abertura ao público das Florestas Submersas.

Takashi Amano, falecido a quatro de agosto do ano passado, distinguiu-se como fotógrafo, designer e aquariofilista. Além de ter fundado a empresa japonesa Aqua Design Amano, especializada em desenvolver produtos para aquários, foi considerado uma das pessoas mais influentes no panorama paisagístico aquático de água doce, tendo introduzido conceitos originários dos jardins japoneses, como pedras Zen e a Wabi-sabi, uma visão estética centrada na aceitação da transitoriedade e da imperfeição.

A aquariofilia é a prática de criar peixes, plantas e outros organismos aquáticos, em recipientes de vidro, acrílico ou plástico conhecidos como aquários, ou em tanques naturais ou artificiais para fim ornamental ou de estudo.

As Florestas Submersas são, na verdade, um aquário de 40 metros de comprimento, 2.5m de largura, 1.45m de altura e 160 mil litros de água, que demorou sete meses a preparar e que contém réplicas de paisagens da natureza localizadas nas florestas tropicais, um dos habitats mais ricos e diversos da Terra.

“Apesar de ocuparem menos de seis por cento da superfície do planeta, mais de metade da biodiversidade existente vive nestas áreas de floresta pristina, ainda intocadas e intangíveis para a maioria. Apesar da sua importância ecológica, estes habitats são, provavelmente, dos mais ameaçados do mundo”, pode ler-se no site do Oceanário de Lisboa.

Florestas Submersas, uma suite de 13 minutos, composta para acompanhar a exposição de Amano pelo músico português Rodrigo Leão, convive com o som do aquário e enche o espaço com uma ode à natureza. Os sons da floresta são invocados através de um quarteto formado por dois violinos, um violoncelo e uma viola de arco, convidando os espetadores a mergulhar no mundo submerso que admiram.

A exposição pretende ligar a arte e a natureza, o perfeito e o imperfeito, estimulando a apreciação estética do despojamento e da aceitação das imperfeições. A natureza é um exemplo de uma evolução errática que, ainda assim, se revela enigmática e atraente.

O aquário de Takashi Amano parece ter um século, mas não tem sequer anos. Se nos concentrarmos no ambiente subaquático, vemos que se espelha e se desdobra em dois, impedindo o espetador de desviar o olhar de tão incrível espetáculo visual.

“A vida na terra depende do grande equilíbrio entre as florestas e os oceanos” e Takashi Amano tornou realidade a sua interpretação artística “destes mágicos e misteriosos ecossistemas”, oferecendo uma experiência sensorial e emocional única.

Aquele que é, de momento, considerado o maior ‘nature aquarium’ do mundo recria os ciclos de vida e transformação da natureza. Como? Através de quatro toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores, 78 troncos de árvores da Escócia e da Malásia, 10.000 peixes tropicais de água doce de 40 espécies e 46 espécies de plantas aquáticas.

É possível ter, através da sua contemplação, uma experiência de relaxamento e simplicidade, que nos transporta de volta às origens da vida. O Oceanário de Lisboa pretende, com o seu primeiro aquário com assinatura de autor, reforçar o compromisso para a conservação da natureza e educação ambiental.

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