Chapters & Scenes #1 – Ada Lovelace: Bride of Science

Chapters & Scenes #1 - Ada Lovelace: Bride of Science

Chapters & Scenes trata-se de um desafio, lançado pela Mariana do It’s Ok, que consiste em escrever sobre um filme, série ou livro tendo em conta a temática de cada mês. Outubro é dedicado a Girlbosses, como quem diz mulheres extraordinárias, e por que não à Ada?

Augusta Ada King, mundialmente conhecida por Ada Lovelace, é celebrada como a primeira programadora da História – feito que realizou graças à combinação das suas capacidades matemáticas com a imaginação poética que herdou do seu pai, o famoso poeta Lord Byron.

Ada Lovelace: Bride of Science. Romance, Reason and Byron’s Daughter, de Benjamin Woolley, conta como Ada se tornou a pioneira do que apelida de “ciência poética”, numa época em que o romance se distanciava da razão, o instinto do intelecto e a arte da ciência.

Enquanto jovem, Ada recebeu uma educação pouco usual para uma mulher britânica do século XIX, uma vez que a sua mãe insistiu na matemática e na ciência para a afastar das artes e, sobretudo, do seu pai, o poeta Lord Byron, que nunca chegou a conhecer e cujo rosto só vislumbrou pela primeira vez, em retrato, quando já estava casada.

“Se não me podes dar poesia, podes dar-me ciência poética?”, perguntou Ada à mãe.

Apesar dos esforços da sua mãe, Ada nunca odiou o seu pai, tendo nutrido sempre um certo fascínio pela sua figura e herdado o suficiente da sua veia poética – de tal forma que, ainda pré-adolescente, já andava a fazer planos para voar: conceptualizou uma máquina voadora, depois de estudar a anatomia dos pássaros e de considerar diversos materiais para a concretização do projecto, que descreveu e ilustrou em Flyology. Mas foi apenas quando conheceu o seu mentor, o inventor e matemático Charles Babbage, também conhecido como o “pai do computador”, que a sua carreira começou.

Ao traduzir do francês para o inglês um artigo do engenheiro militar – e futuro primeiro-ministro italiano – Luigi Menabrea sobre o engenho analítico de Babbage, Ada completou a tradução com as suas próprias notas, três vezes mais extensas que o original, que publicou em 1843 numa revista inglesa.

Para além de ter contribuído para o desenvolvimento da primeira máquina de cálculo, criou o primeiro algoritmo da história e deixou registada a sua crença de que, um dia, a máquina que Babbage lhe apresentou seria capaz de traduzir para o digital tudo o que a humanidade desejasse. Ada era uma visionária: quebrou normas, moldou pensamentos e ousou sonhar à frente do seu tempo.

É reconhecida não só pelo génio como pela sua personalidade excêntrica e a sua relação com o álcool e a arte das apostas (em cavalos, a título de exemplo). E, embora os seus excessos não sejam motivo de inveja, são emblemáticos de uma mulher que se sentia livre numa época em que não era suposto as mulheres fazerem o que lhes apetecia.

A maior parte das crianças hoje em dia continua a desenhar cópias do Einstein se lhes pedirem para fazer um retrato de um cientista e, não é que não ache o Einstein absolutamente fascinante, mas há tantas mulheres cientistas que merecem ser pintadas a lápis de cor e expostas no frigorífico lá de casa – e a Ada mais porque foi uma cientista que soube abraçar a artista em si.

Estou longe de chegar ao fim de The Bride of Science, mas já estou com vontade de ler biografias de outras mulheres cientistas e ansiosa por comprar o Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes e ler as 100 histórias sobre mulheres corajosas que mudaram o mundo (incluindo a de Ada).

2 Comments

  1. Raquel, desconhecia totalmente a história de vida de Ada Lovelace, embora o seu nome não me seja nada estranho. Gostei imenso da apresentação que fizeste sobre o seu trabalho.

    • Raquel Dias da Silva

      Obrigada Joana, pelo comentário. Fico feliz por te ter dado a conhecer uma mulher tão inspiradora como eu acho que a Ada foi/é.

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