Comunicar ciência com arte, no ecrã e no papel

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Somos seres visuais: atraem-nos as formas, as cores, o movimento. E, mesmo no meio científico, é raro encontrarmos um artigo que não inclua ilustrações, gráficos, tabelas, esquemas ou fotografias. Então, por que não comunicar ciência através da arte do cinema ou da banda desenhada?

Uma imagem vale mais do que mil palavras, costuma dizer-se. E a verdade é que as imagens estão presentes no nosso dia-a-dia, a toda a hora. Parece-me, por isso, óbvio o quão temos a ganhar em usar o cinema de animação e a banda desenhada não só para transmitir conceitos científicos, mas também (e sobretudo) para cativar o público e aproximá-lo da ciência, tornando-a familiar sem deixar de ser fascinante.

Arte com ciência em desenhos animados

Quem não se lembra do Era uma vez a vida? Os famosos desenhos-animados sobre os humanos e o que se passa dentro do nosso corpo (como funciona o sistema imunitário, o que é a medula óssea e a irrigação sanguínea ou como ganhar a guerra às toxinas). E o Era uma vez o espaço, com aquele genérico super catchy?

“Lá em cima há um céu de cetim/ Há cometas, há planetas sem fim/ Galileu teve um sonho assim/ Há uma nave no espaço a subir passo a passo” — in Era uma vez o Espaço

Hoje em dia, o que não faltam são vídeos animados sobre ciência. E não são necessariamente feitos para crianças. Mas são adequados a um público, que embora não seja especialista, tem interesse em saber mais sobre o universo, o que se encontra no nosso planeta, o que há para além dele e até sobre os micro-universos que todos transportarmos dentro de cada um de nós.

Por outro lado, quando pensamos em banda desenhada, suponho que ninguém pense em ciência. Primeiro porque a banda desenhada é um nicho dentro de um nicho em Portugal. É, dentro de todo o universo de leitores, uma fatia bastante pequena. Depois porque ainda há a ideia que ou é só para miúdos ou é só Disney, super-heróis e os “clássicos” (Mafaldinha, A Turma da Mónica e Calvin and Hobbes) — o que, para certas pessoas, é o mesmo que “ah, banda desenhada… mas isso não é só para miúdos?” Não, não é. E também podemos aprender ciência através de pranchas e vinhetas.

A sério? Sim, também há ciência em quadradinhos!

Já vos escrevi sobre Uma Aventura Estaminal, dos portugueses José Ramalho-Santos (argumento) e André Caetano (ilustração), que entretanto publicaram um conjunto de pranchas sobre a diabetes, no Público. Uma iniciativa que já fora tomada em Março, na Semana Internacional do Cérebro, com o Viagens no Cérebro em BD.

 

Lê a BD completa no Público

Existem, contudo, muitas outras bandas desenhadas portuguesas sobre ciência, como os Guerreiros Sempre Alerta!, uma BD (que podes ler de forma gratuita) que resultou de uma parceria entre o Departamento de Imunologia da FCM/UNL e a Agência Ciência Viva. Ou o Portugal 2055 — Uma BD sobre alterações climáticas no nosso país, com argumento de Bruno Pinto e ilustrações de não um, mas doze artistas distintos. Para além disso, uma descoberta recente e a destacar é o blogue BD Ciência, que partilha em séries de três quadradinhos as aventuras de um percurso académico e científico português.

Escala de Estupidez in BD Ciência

Mas há mais? Há muito mais. Há mangás, livros ilustrados e projectos online. Sobre a teoria da relatividade, biologia, química, tudo o que possam imaginar. E, porque estou cá para vos dar a conhecer o melhor que a ciência tem para vos oferecer, partilho convosco uma lista de três sugestões de banda desenhada, para não terem de procurar muito — embora, confesso, espere que procurem e encontrem também os vossos tesouros e, claro, os partilhem depois comigo, combinado?

The Manga Guide to Biochemistry

The Manga Guide to Biochemistry é uma BD, de estilo mangá, sobre uma miúda que adora comer, mas que começa a ficar preocupada que a sua paixão por fast food esteja a afectar a sua saúde. E pede ajuda ao um amigo e ao seu professor de bioquímica. Juntos desvendam os mistérios do corpo humano em cinco capítulos.

Wonderful Life with Elements

Wonderful Life with Elements é um guia ilustrado da tabela periódica dos elementos químicos. Mas de uma forma muito peculiar: cada elemento é representado como um personagem único, com base nas suas propriedades.


Survive! Inside the Human Body

Survive! Inside the Human Body é exactamente o que parece: uma BD sobre a aventura perigosa (a fugir de ácido e de parasitas) de um cientista e de um miúdo dentro do corpo humano de Phoebe.

Recomendo ainda o blogue Bird and Moon e Beatrice the Biologist.
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Raquel Dias da Silva. Licenciada em Ciências da Comunicação – Área Opcional de Jornalismo e a frequentar o Mestrado em Comunicação de Ciência na FCSH-UNL, gosto de observar, desmontar fenómenos e partilhá-los através de histórias. Apaixonada por jornalismo (sobretudo cultural, ambiental e de ciência), alimento-me do que me faz pensar – teatro, livros e outros quebra-cabeças – e do que me deixa sem palavras – natureza, gastronomia, música e a arte de fotografar.

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